quinta-feira, 19 de julho de 2012

Eu as matei ...

- Eu as matei, mãe. Matei todas elas… - disse com voz tremula e quase chorando.
- Matou o que, filha? - falou assutada.
- As borboletas, mãe. As que viviam em meus estômago, as que me faziam alimentar uma falsa esperança de que eu teria ele de volta, só para mim. As borboletas que me faziam pensar que ele voltaria para mim, que iria me fazer sorrir, como eu sorria antes, me fazia rir. Sabe, eu ficava brava quando ele me irritava, mas eu sabia, que ele fazia isso, por que gostava de mim, mãe. Eu tenho saudades das piadas dele, do sorriso dele, do riso, do abraço, do cheiro, do olhar, do bem que ele me fazia, da presença dele, das implicâncias, de tudo, mãe. Mas agora, ele… ele me abandonou, me deixou, mãe. Eu estou acabada, essas malditas borboletas que me faziam pensar que ele voltaria para mim, algum dia. Mas, eu cansei mãe. Cansei. E como eu disse; eu as matei. Acabei com tudo. Tudo! Não gosto mais dele, não quero mais ele… - interrompeu-se chorando -. Mãe, ele me disse as seguintes coisas: “Eu não posso mas ficar com você, não é como no começo, não riamos mais como antes, parece que… não nos gostamos como antes, eu… por mais difícil que seja… eu tenho que ir, adeus.” Mãe, eu queria falar para ele ficar, eu queria o ter abraço e beijado e poder ter ficado com ele, mas.. mãe, eu não consegui. Eu fraquejei, como sempre, eu o deixei partir. E ele foi sem mais delongas, mãe. Eu sempre estive aqui, esperando que ele voltasse… mas, ele nunca voltou e nunca voltará, mãe ...


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